Texto #4: Por dias bons





Escrevo pelas pessoas boas, pelos mundos particulares que me leem e por mim mesmo. Escrevo quando nada está bem. Escrevo por dias bons!


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Escrevo nas madrugadas de insônia, esperando o galo cantar e a luz do Sol entrar pelas brechas do telhado do meu quarto. Escrevo até surgirem palavras preguiçosas que passeiam nos papéis de linhas azuis, enquanto a água do café está no fogo. Escrevo pelos dias bons e pelas pessoas que passaram na minha vida, protagonistas de suas histórias que ainda hoje arrancam suspiros por causa das lembranças que deixaram.

Escrevo os segredos alheios em lugares públicos. Digo que é do João o segredo que, na verdade, é da Maria. Todos riram do João, o que me fez escrever sobre pessoas vazias do riso frouxo. E isso me lembrou daqueles que riram de mim por não ser um cara legal, escrevo sobre eles também e sobre mim. Dou-me o superpoder da invisibilidade para passar pelos dias ruins sem ser notado. E esses dias ruins me fazem assistir ao meu filme favorito e ler aquele livro que me faz acreditar que a dor precisa ser sentida. Escrevo sobre tudo isso e me sinto bem assim.

Escrevo até quando a música barulhenta dos vizinhos confunde minhas ideias. Escrevo sobre a crise e sobre Deus. Invento um horóscopo e escrevo pelo que ainda vai acontecer. Escrevo pelas pessoas boas, pelos mundos particulares que me leem e por mim mesmo. Escrevo quando nada está bem. Escrevo por dias bons!


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